Os Puris

Introdução

Pouco se fala ou se estuda a respeito dos primórdios de Itaperuna, muito menos ainda se comenta, pesquisa ou se escreve sobre aqueles que foram os primeiros habitantes desta região: Os Puris. Vítimas, desde o inícío de nossa colonização, dos mais diversos aventureiros, tiveram os Puris nos poalheiros a sua mais forte degradação. Eles os exploravam o mais que podiam, pagando com aguardente, a extração de um vegetal chamado poaia, muito abundante em nossa região. Essa bebida exercia grande atração sobre os Puris e, muitas das vezes, em troca da bebida ofereciam aos poalheiros suas mulheres e filhas. Eis aí, em poucas palavras, uma das razões pela qual o índio merece nossa atenção no estudo e na história do desbravamento de nosso vale; devemos olhar para eles, com profunda gratidão e respeito pois, estes seres que já foram chamados de “crianças das selvas”, são a causa primeira da vida humana na terra itaperunense.

indios PurisOrigem
Descendente dos Goytacazes que, perseguidos, caçados e derrotados, subiram o Rio Muriaé, invadindo a densa floresta virgem e povoando-a até o início do Século XIX.

Índole
O temperamento dos índios Puris, segundo alguns historiadores, era calmo, apático e conformado com sua condição, porém quando enfurecidos, tornavam-se vingativos, não esquecendo uma ofensa.

Características Físicas
Possuíam estatura baixa, entre 1,35m e 1,65m, rosto largo, nariz curto, dentes magníficos, olhos oblíquos. Tinham braços musculosos, pelo de coloração acobreada, cabelos negros e grossos, compridos e abundantes. As mulheres da tribo mediam em torno de 1,40m.

Habitação
Eram construções rudimentares feitas de madeiras e fibras e cobertas de capim, palha ou casca de árvore, ou mesmo folhas de palmito ou brejaúba. Construídas em terrenos planos e, principalmente sob o abrigo de grandes árvores, sua técnica de construção consistia em fincar duas forquilhas distantes uma da outra e sobre elas atravessar um pedaço de madeira que passava por cumeeira, colocando pedaços de madeira inclinados de um lado, presos a essa cumeeira por fortes embiras ou cipós apropriados para tal fim; esta armação de madeira recebia uma densa camada de capim ou folhas de palmito que ficavam inclinados para um só lado, a fim de permitir o escoamento da água.Tinham por leito a própria terra, cavavam o chão, fazendo nele uma depressão onde pudessem acomodar seu corpo, como se fosse uma cama.

Religião
Acreditavam que um ser poderosíssimo e bom os acompanhava. Tinham seus “pajés” e a eles ficava a incumbência de dirigir as atividades religiosas e rituais da aldeia, cuidar dos doentes e ministrar-lhes medicamentos, transmitir aos membros as poucas lendas e tradições de sua gente. Acreditavam no feitiço e a eles era reputada, pelas tribos que viviam nas redondezas, a fama de grandes feiticeiros.

Alimentação
Plantavam, em pequena escala, “fava mangalês”, batata-doce, banana e milho. Utilizavam também em sua alimentação, cará branco, mandioca e abóbora que comiam crus ou cozidos.Apreciavam o araçá, ananás, abacaxi, goiaba, mamão e coco de vários tipos, sendo a banana, considerada por eles, fruta nobre. Para eles, o mel representava saboroso alimento.Usavam uma cuia, feita de certos frutos silvestres secos, como a cuité, a cabaça e postados de cócoras, faziam suas refeições.

Caça e Pesca
Da caça e da pesca dependia quase que totalmente sua sobrevivência. Como técnica de pescaria utilizavam o cipó chamado “Timbó” que, segundo eles embebedava o peixe. Usavam um tipo de balaio com tampa e dispositivo para desarmar quando o peixe entrava em seu interior.

Possuíam um método incomum de pescar, que consistia em amarrar algumas minhocas na ponta de uma linha (trazidas pelos aventureiros) e joga-las dentro d’água. Ao sentirem que o peixe engoliu a isca, puxavam a linha de repente e, com ela, vinha o peixe.

A caça também era abundante, nessas paragens como: anta, capivara, paca e outros animais silvestres, sem contar com a grande variedade de aves; muitas vezes, nem as levava ao fogo, comendo-as cruas.

Era crença entre eles que o caçador que abatesse um animal por flechamento não deveria provar de sua carne “para não perder a pontaria”.

Dança
A dança era um dos divertimentos favoritos dos Puris e a eles era reputada a fama de grandes dançarinos. Suas danças eram acompanhadas de cantigas que produziam um “alarido infernal”, executadas por um grupo de cinco índios; o ritmo variava segundo a finalidade. As danças religiosas eram realizadas em louvor ao “Sol” e aos “Astros”, de preferência as “Estrelas”.

Casamento
Logo que apareciam nos jovens os primeiros indícios de puberdade, seus pais procuravam tomar as providências para o seu casamento, porém estes não eram arranjados por eles e sim, casavam-se por afeição, levando em conta a inclinação amorosa.

Nascimento
Não existiam parteiras nas aldeias, as mulheres grávidas ao pressentirem o nascimento próximo, dirigiam-se para o interior da floresta e lá, forrando o chão com folhas, davam à luz, inclusive seccionando o cordão umbilical e resolvendo por si todas as complicações que pudesse advir. Fatais eram os casos de bacias estreitas e hemorragias.

Armas
A flecha e o bodoque eram armas muito simples, porém usados com perícia tornavam-se perigosíssimas.

Artesanato 

artesanatoFaziam os Puris vários objetos para seu uso, empregando a argila faziam suas panelas e enormes potes, denominados “igaçaba”, onde depositavam seus mortos.Faziam também com barro cozido colheres, pratos, potes para água e outros utensílios dos mais diversos formatos, sendo que alguns deles venceram a barreira do tempo e chegaram até os nossos dias. Utilizavam em seus trabalhos manuais fibras vegetais, madeira e taquara. Com as embiras de imbaúba branca, do tucum e do embiruçu, teciam cordas com as quais faziam suas redes de pescar; com o fruto do cuité, faziam cuias. De madeira faziam os cochos para fermentação de bebidas, assentos e até mesmo gamelas. Usavam em suas peças pintura primitivista, segundo o seu grau de cultura e na flora e na fauna encontravam o tema para seus trabalhos que, por vezes, representavam grosseiramente desenhos de serpentes, de aves ou de alguma forma geométrica copiada da natureza.

Linguagem
Os vocábulos indígenas brasileiros, em geral, são todos de característica Tupi-Guarani. Cada tribo, cada família, dispunha de dialetos próprios, porém, com a mesma origem. Os Puris não fugiam à regra e tinham seu próprio vocabulário, formando um dialeto influenciado pelos conquistadores, fossem eles portugueses, africanos ou indígenas de outras tribos.

Morte
A morte atingia nossos índios muito cedo, eram raros os que viviam mais tempo. Tinham grande pavor da morte e procuravam evitar assistir a um falecimento dos seus. Por isso, abandonavam os velhos e enfermos no meio da selva, com o fogo aceso, alguns galhos secos de árvore, água e comida.Quando morria alguém na tribo, o sepultamento era feito imediatamente para que os maus espíritos não se apossassem do corpo. O morto, por sua vez, era amarrado e enrolado em cordas feitas de embira e logo, em seguida, era colocado em uma igaçaba que lhe serviria de túmulo, indo com ele sua flecha e seu bodoque, bem como outros objetos que possuíse.

 

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